quinta-feira, 24 de julho de 2008

O VERDE DA MIDORI

Tem gente que vai à praia, curte sua casona, casinha, mansão, mansinha, seja qual for. Presta a maior atenção no mar, na cor da água, se está azul, verde, verde-esmeralda, turva, se tem cocô, se tem esgoto clandestino, se está poluída por combustíveis dos navios, se a areia está limpa, se a prefeitura local cuidou (não cuida) da paisagem, etc. Essa gente contrata pessoas para limpar suas latrinas, tirar o bolor, passar aquela querosene no chão, tirar o limbo da maresia das vidraças, tirar as traças, aparar a grama do jardim, até para comprar aquela cervejinha e colocar na geladeira, para quando chegar lá, esteja tudo em cima. Tudo limpinho, cerveja gelada, carvão comprado. Só alegria. Esses veranistas que têm olhos e ouvidos atentos para as belezas do mar e para seu próprio “metro quadrado” (metros e metros quadrados), só não percebem que do outro lado da rodovia, onde não tem a beleza do mar, tem a feiúra da pobreza e do abandono. Pessoas que fora da temporada têm quase nada e na temporada ficam com as migalhas. Mas não recebem, nem às migalhas, o carinho dos veranistas, tampouco o respeito deles. Mas a esperança é verde e o amor é vermelho, vermelho da cor do coração da minha amiga veranista Midori Magagnin, do Balneário Atami Sul. Aliás, MIDORI em japonês é VERDE. Ela abre mão do conforto e da esbanjação para repartir com as crianças e famílias inteiras da Vila Nova, do Barranco e do Itatiaia. Ela, como integrante da diretoria da Associação do Balneário Atami Sul, não só emprega somente pessoas da redondeza, como também repassa a todos, seus ensinamentos cheios de sensibilidade oriental. A última que ela aprontou: montou uma banda/sinfônica com as crianças que vivem próximas ao balneário. Arrecadou instrumentos, improvisou, fez bingo. Vale tudo por amor ao próximo. “A idéia é mostrar aos politiqueiros, que essas crianças existem e que precisam de ajuda dos órgãos públicos com escolas, creches etc e tal”, diz ela que também já se tornou uma ativista em defesa do azul do mar, do verde da vegetação, do colorido dos pássaros e do vermelho do amor. Salve verde, Salve Midori.

4 Comentários:

Às 25 de julho de 2008 às 05:53 , Blogger Euricles Cavalcante Macedo disse...

Sirley, primeiramente, sobre o texto, que primor, belo. Parabéns. Sobre a Midori, que personalidade extraordinária. Conheci a Midori faz pouco tempo. Tenho frequentado a casa dela e do Nivaldo, outra figura ímpar. Ainda não tive a oportunidade de conhecer este trabalho social. Mas vou provocar conhecê-lo. Também sou jornalista e fotógrafo. Após ler "O Verde da Midori" fui impactado pelo desejo de fotografar o que esse casal anda fazendo por lá. Quando tiver algumas imagens compartilho com você, ok?.

Euricles Macedo

 
Às 25 de julho de 2008 às 11:38 , Blogger Ricardo Magagnin disse...

Sirley, parabéns pelo texto e pelo reconhecimento! Acredito que boas matérias não precisam ser feitas apenas de “poesias” ruins, pelo contrário, as “poesias” boas são as que mais emocionam. Para a Midori, minha mãe, fica o meu reconhecimento e minha admiração, hoje sou o que sou graças aos princípios e exemplos ensinados durante toda uma vida de dedicação!!! Ricardo Magagnin

 
Às 28 de julho de 2008 às 05:57 , Blogger bolha disse...

Caro Euricles, obrigado por acessar meu blog e ficarei muito feliz em publicar seu material. Quanto a Midori, palavras não bastam. É pouco diante de tanta grandeza. Sirley

 
Às 28 de julho de 2008 às 06:46 , Blogger bolha disse...

Caro Ricardo, sua mãe tem cadeira cativa no meu coração. E quanto à poesia, ela é pura poesia.

 

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